Na primeira reunião de membros da LACEC no México, o diretor executivo do WRI México, Francisco Barnés, deu as boas-vindas a empresas, desenvolvedores, instituições financeiras e associações que compõem a coalizão, e apresentou uma agenda baseada no diálogo mantido com o setor privado mexicano desde março de 2026.
Cidade do México, 16 de julho de 2026.— O Instituto de Recursos Mundiais México (WRI México) realizou a primeira reunião de membros da Coalizão de Energia Limpa da América Latina (LACEC) no país, onde conseguiu reunir em uma mesma conversa empresas compradoras, desenvolvedores, fornecedores, instituições financeiras, associações e organizações parceiras. Isso mostra o valor da LACEC como espaço de articulação.
As boas-vindas ficaram a cargo do diretor executivo do WRI México, Francisco Barnés, e tiveram como objetivo ouvir as prioridades dos membros, coletar seus comentários e começar a construir a comunidade de trabalho da LACEC no país. Participaram mais de 25 organizações, incluindo Walmart, Nike, 3M, General Motors, Ternium, Fibra Uno, Mercado Livre e Orbia, além de desenvolvedores, comercializadores, associações do setor e organizações financeiras.
Um mercado com oportunidades e barreiras identificadas
Em seu discurso, Barnés destacou que o México possui elevado potencial para geração de energia solar e eólica, uma indústria manufatureira em expansão e uma crescente demanda empresarial por energia limpa como alavanca para a competitividade e a segurança energética, em um contexto marcado pela dependência do gás natural importado. No entanto, ele enfatizou que persistem desafios significativos no acesso ao financiamento, nos mecanismos de compra de energia, no marco regulatório e na incorporação do armazenamento no sistema.
"A transição energética é uma das prioridades que definimos dentro de nossa estratégia institucional e vamos continuar impulsionando-a, não apenas de uma perspectiva ambiental, mas porque ela representa uma oportunidade para o crescimento econômico, aumentar a competitividade do país e promover uma agenda de segurança energética", disse ele.
Durante a reunião foram identificadas três barreiras específicas que atualmente estão freando o mercado: financiamento bloqueado para o segmento corporativo, mecanismos de compra de energia limpa sem a maturidade suficiente e um mercado de armazenamento que ainda não decolou.
Os participantes concordaram que o trabalho da coalizão deve partir da compreensão das necessidades dos consumidores corporativos de energia limpa e do desenvolvimento de soluções que respondam às suas barreiras reais de contratação e competitividade.
Como condição transversal para essas três frentes, os participantes concordaram sobre a necessidade de um mínimo de segurança jurídica, apoiada por quatro decisões regulatórias de curto prazo: a atualização das disposições operacionais para aproveitar o novo limite de 0,7 megawatts de geração local, a publicação da tarifa de backup da CFE, a extensão das licenças de autoconsumo além de três anos e a revisão do tratamento dos contratos legados e da cota de compra excedente.
Da mesma forma, as empresas compradoras concordaram que a competitividade econômica continua sendo um dos principais determinantes para acelerar a contratação de energia limpa, de modo que os mecanismos desenvolvidos pela coalizão deverão contribuir para fechar essa lacuna.
Durante a sessão, também se destacou que muitos consumidores, mesmo os de grande porte, ainda não contam com equipes especializadas para gerenciar seu consumo e avaliar as diferentes opções do mercado. Por isso, vale mencionar que a coalizão pode desempenhar um papel não apenas técnico e regulatório, mas também de acompanhamento, informação e fortalecimento de capacidades.
Três frentes de trabalho para 2026-2027
Com base nesse diagnóstico, a LACEC apresentou uma agenda organizada em três frentes de trabalho, com o compromisso de diálogo com a Comissão Nacional de Energia (CNE), o Centro Nacional de Controle de Energia (CENACE) e a Comissão Federal de Eletricidade (CFE):
- Financiamento corporativo de energias renováveis. Busca identificar o que impede os bancos de financiar projetos renováveis no setor industrial e comercial, e co-desenhar instrumentos com evidências de outros mercados. Inclui uma referência internacional de instrumentos como garantias parciais, mescla público-privada e fundos de garantia, com referências do Chile, Colômbia, Brasil e Índia, além de um diagnóstico de barreiras preparado com bancos comerciais e de desenvolvimento e, em uma segunda fase, o co-desenho de instrumentos com a Nafin e o Bancomext.
- Acesso ao mercado e mecanismos de compra de energia limpa. Busca garantir que qualquer empresa possa acessar energia limpa por meio de contratos padronizados reconhecidos internacionalmente e mecanismos alternativos — IRECs, CELs e tarifas verdes. Inclui um relatório sobre a demanda potencial por setor e região, uma nota comparativa entre PPAs, IRECs, CELs e tarifas verdes, e uma caixa de ferramentas com contratos padrão e formatos de RFP padronizados, elaborados com a CNE e baseados na experiência prévia do Acelerador de Investimentos em Energia Limpa (CEIA).
- Soluções inteligentes de armazenamento e redes. Busca acelerar o marco regulatório e de conhecimento para integrar o armazenamento em projetos corporativos, com base em modelos já validados em outros mercados, incluindo os avanços do Brasil e do Chile no tema. Inclui um mapeamento de barreiras com empresas que já estão desenvolvendo projetos de armazenamento, um relatório técnico de casos de uso para sistemas de armazenamento por baterias (BESS) e uma nota técnica sobre seu reconhecimento regulatório como ativo da rede.
As três linhas de trabalho são respaldadas pela estrutura regional da LACEC, que conecta a capacidade analítica do WRI, o conhecimento de mercado da Global Renewables Alliance e do Global Wind Energy Council, e o acesso do Climate Group ao mercado corporativo por meio de sua iniciativa RE100, e que opera simultaneamente no México, no Brasil e na Colômbia.
Os membros concordam: a agenda deve ser construída a partir das necessidades do consumidor corporativo
A segunda parte da sessão foi dedicada a uma discussão aberta na qual representantes de empresas compradoras, comercializadores qualificados e associações compartilharam sua perspectiva sobre as prioridades apresentadas. Vários participantes concordaram que a competitividade de preços em relação aos esquemas baseados em combustíveis fósseis continua sendo a variável que mais limita as decisões de compra de energia renovável, particularmente para empresas cujas políticas internas de sustentabilidade dependem da existência de economias financeiras.
Representantes de comercializadores qualificados destacaram a necessidade de fortalecer o apoio ao usuário final, ressaltando que boa parte dos grandes consumidores no mercado atacadista de eletricidade ainda não conta com equipes especializadas em gestão energética, apesar de a eletricidade representar uma proporção significativa de seus custos fixos. Nesse sentido, concordaram que o papel da coalizão não é apenas técnico ou regulatório, mas também de acompanhamento e geração de capacidades entre os compradores.
Outros participantes propuseram ampliar o enfoque da frente de armazenamento para incluir mecanismos de demanda controlável que permitam à indústria reduzir suas necessidades de energia, bem como fortalecer o cumprimento e a transparência das obrigações de cobertura já estabelecidas no marco regulatório atual. Também se sugeriu que o diagnóstico de barreiras deveria ser construído como uma prioridade baseada nas necessidades específicas dos grandes consumidores de energia, para garantir que a agenda responda aos verdadeiros obstáculos que eles enfrentam ao contratar energia limpa, para além da disponibilidade de suprimento no mercado.
Próximos passos
A LACEC anunciou um roteiro de trabalho para os próximos meses: durante a semana de 20 de julho, os comentários coletados na reunião serão incorporados a uma agenda final de trabalho, que será compartilhada com todas as organizações participantes antes de final de julho. Os pontos de contato de cada organização para os grupos de trabalho e comunicações da coalizão serão confirmados em agosto; em setembro será definido o calendário de oficinas, webinars e sessões técnicas para 2026 e 2027, e em outubro começarão formalmente os grupos de trabalho, junto com a segunda sessão plenária da LACEC no México.
A coalizão também informou que seu primeiro webinar sobre armazenamento no mercado corporativo está programado para agosto de 2026, e antecipou o calendário de expansão regional da LACEC, com o lançamento da coalizão em Bogotá, na Colômbia, e no estado de Alagoas, no nordeste do Brasil, nas próximas semanas.
"Os gargalos no México já estão bem identificados. O que buscamos como coalizão não é outro diagnóstico, mas sim uma ação organizada", disseram os representantes da LACEC durante a apresentação da agenda, encerrando o convite para que as organizações membros se juntem aos grupos de trabalho que começarão nos próximos meses.
Fonte original: https://es.wri.org/noticias/lacec-inicia-operaciones-en-mexico-con-una-agenda-para-remover-las-barreras-del-mercado-de